Fragmentos sobre o livro: Blanchot, Derrida, Mallarmé, Benjamin

E, igualmente, o Livro nunca deve ser olhado como estando verdadeiramente ali. Não podemos tê-lo em mão. Entretanto, se é verdade que não há presente, se o presente é necessariamente inatual e, de certa forma, falso e fictício, ele será o tempo por excelência da obra irreal, não mais aquele que ela exprime (este é sempre passado ou futuro, salto sobre o abismo do presente), mas aquele em que ela se afirma na evidência que lhe é própria, quando, pela coincidência de sua própria irrealidade com a irrealidade do presente, ela faz existir uma pela outra, numa luz de relâmpago que ilumina, a partir da obscuridade da qual é apenas a concentração ofuscante. Negando o presente, Mallarmé o reserva à obra, fazendo desse presente o da afirmação sem presença, em que aquilo que é brilha ao mesmo tempo que se desvanece (“o instante que eles aí brilham e morrem numa flor rápida, sobre alguma transparência etérea”). A evidência do livro e seu brilho manifesto são portanto tais que dele devemos dizer que é, que está presente, já que sem ele nada estaria jamais presente, mas que, no entanto, ele está sempre em falta com relação às condições da existência real: sendo, mas impossível” (Blanchot, O Livro por vir).

“Ahora bien, lo que hoy sucede, lo que se anuncia como la forma misma del por-venir del libro, todavía como libro, es, por una parte, más allá de la clausura del libro, la disociación, la dislocación, la disyunción, la diseminación sin reunión posible, la dispersión irreversible de ese códice total (no su desap.arición sino su marginación o su secundarización, de acuerdo con unas modalidades sobre las que habrá que volver) pero simultáneamente, por otra parte, la constante reinvestidura del proyecto libresco, del libro del mundo o del libro mundial, del libro absoluto (por eso describía yo también ese fin del libro como interminable, sin fin), el nuevo espacio de la escritura y de la lectura de la escritura electrónica que viaja a toda velocidad desde un punto del mundo al otro y conecta, más allá de fronteras y derechos, no sólo a los ciudadanos del mundo en la red universal de una universitas potencial, de una enciclopedia móvil y transparente, sino a todo lector como escritor posible o virtual, etc. Esto reaviva un deseo, el mismo deseo. Esto inculca de nuevo la tentación de considerar aquello cuya figura es el tejido mundial de la WWW como el Libro ubicuo por fin reconstituido, el libro de Dios, el gran libro de la Naturaleza, o el Libro-Mundo en su sueño onto-teológico por fin realizado, precisamente en el momento en que éste repite el fin de aquél como por-venir” (Derrida, Papel Máquina).

Une ordonnance du livre de vers poind innée ou partout, élimine le hasard ; encore la faut-il, pour omettre l’auteur : or, un sujet, fatal, implique, parmi les morceaux ensemble, tel accord quant à la place, dans le volume, qui correspond. Susceptibilité en raison que le cri possède un écho — des motifs de même jeu s’équilibreront, balancés, à distance, ni le sublime incohérent de la mise en page romantique ni cette unité artificielle, jadis, mesurée en bloc au livre. Tout devient suspens, disposition fragmentaire avec alternance et vis-à-vis, concourant au rythme total, lequel serait le poème tu, aux blancs ; seulement traduit, en une manière, par chaque pendentif. Instinct, je veux, entrevu à des publications et, si le type supposé, ne reste pas exclusif de complémentaires, la jeunesse, pour cette fois, en poésie où s’ impose une foudroyante et harmonieuse plénitude, bégaya le magique concept de l’Œuvre. Quelque symétrie, parallèlement, qui, de la situation des vers en la pièce se lie à l’authenticité de la pièce dans le volume, vole, outre le volume, à plusieurs inscrivant, eux, sur l’espace spirituel, le paraphe amplifié du génie, anonyme et parfait comme une existence d’art” (Mallarmé, Crise de vers).

Premier état du Coup de dés. Manuscrit autographe.

“A máquina de escrever afastará da caneta a mão dos literatos, quando a exatidão das formas tipográficas introduzir-se imediatamente na concepção de seus livros. Presumivelmente far-se-ão necessários então novos sistemas, com formas de escritura mais variáveis. Eles colocarão a nervura dos dedos que comandam da mão cursiva da escrita habitual” (Uma profecia de Walter Benjamin, tradução de Haroldo de Campos e Flávio Kothe).

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